segunda-feira, 28 de abril de 2014

Todos pelo carnaval. Será mesmo?

Sempre que escuto manifestações de dirigentes de escolas de samba, elas não fogem do lugar comum, "estou no carnaval, pelo carnaval", "luto pela cultura popular" e afins. No último ano parece que o interesse pelo carnaval como evento cultural se tornou interesse pelo "poder" do evento. A criação da LIESPA, me pareceu o primeiro indício, a disputa sobre a definição das rebaixadas de 2013 entre a nova entidade e a AECPARS deu o pontapé inicial. Venceu a queda de braço a nova liga e a principal beneficiada foi a Unidos de Vila Isabel (escola do presidente da LIESPA) que não foi rebaixada; escrevi sobre isto na época inclusive contestei o argumento que as então promovidas Academia Samba Puro e Imperatriz Leopoldense estavam sendo aceitas no grupo especial por uma deferência da administração da nova liga e de seu presidente; o que ocorreu foi o cumprimento do regulamento simplesmente; não foi um favor. O circo no final da apuração de 2013, também foi um ato bem ensaiado para justificar a saída da AECPARS; ou alguém vai me convencer que presidentes que estão a duzentos anos a frente de escolas não sabem que após o jurado escrever a nota na papeleta e ela ser divulgada acabou o assunto, não existe nada a fazer além de no máximo reclamar e vetar o jurado para o próximo ano. Agora temos uma nova dissidência na AECPARS, surgiu a UCGAPA - União das Entidades Carnavalescas do Grupo Intermediário e Acesso do Estado do Rio Grande do Sul, que segundo seus porta-vozes foi criada com objetivo de defender os interesses das sua filiadas. Na minha opinião isto não tem qualquer relação com defesa das entidades, se tivessem interesse em defender suas escolas; não aceitariam o carnaval fora do centro da cidade, não aceitariam  o monta e desmonta anual das arquibancadas, não aceitariam o uso de seus eventos para divulgação de políticos e assim por diante. Existe uma disputa motivada para quem vai ter o "poder" de mandar no carnaval, se danem os componentes das escolas e o público. Está na hora da Prefeitura de Porto Alegre tomar uma posição, já que por lei é a responsável pelo carnaval da cidade, talvez até o Ministério Público deva atentar para estas movimentações. Durante 53 anos o carnaval de Porto Alegre foi administrado pela AECPARS e nunca deixou de ser realizado, de uma hora para outra uma proliferação de entidades claramente visando não se sabe bem o que, melhorias? Duvido. A grande "contribuição" da LIESPA para os desfiles foi o retorno do famigerado descarte de notas, nada além disto. Curioso o envolvimento do presidente da Praiana neste assunto, parece que o terceiro lugar no grupo - A foi responsabilidade da AECPARS  e não da sua administração que levou a escola ao rebaixamento e não conseguiu trazer de volta ao especial no ano seguinte. Afinal a Praiana não é filiada a LIESPA? Por que deste envolvimento. Segundo o site Setor 1 permanecem na AECPARS as escolas Império do Sol, Unidos do Capão, Acadêmicos de Niterói, Protegidos da Princesa Isabel, Imperatriz Leopoldense e Academia de Samba Puro; presumo que a Copacabana continue filiada a entidade. Saíram então a Unidos do Guajuviras, Realeza, ES Glória, Acadêmicos da Orgia, Apito de Ouro e Unidos da Vila Mapa. Me espanta um pouco esta lista, já que em sua maioria são do grupo de acesso. O que se pretende, uma virada de mesa? Está em discussão neste assunto as escolas que estão fora dos desfiles oficiais, devido a regra burra que pune a última colocada do grupo de acesso? Ou a questão é apenas as verbas da prefeitura? Os Filhos da Candinha, União da Tinga, Mocidade da Lomba do Pinheiro, Fidalgos e Aristocratas e Mancha Verde foram chamadas para a "nova liga" ou não? Ou vai se estabelecer uma disputa que motive o fim do acesso e do descenso, para que finalmente a ideia de um grupo "diferenciado" de escolas possa  ser defendido em Porto Alegre. O presidente da União da Tinga a época da formação da LIESPA levantou esta lebre no programa Passarela do Samba da rádio Guaíba. Esta foi outra "contribuição" dos novos administradores do carnaval de Porto Alegre, uma emissora de rádio apenas cobrindo o evento.

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