segunda-feira, 9 de junho de 2014

Enxugamento de grupos

O enxugamento dos grupos do carnaval de Porto Alegre teve início no ano de 1999. A partir deste ano começou o enxugamento, os grupos foram diminuindo até ficar com sete escolas em cada, ficaram por um tempo 28, que depois de novos enxugamentos chegaram as atuais 23 escolas e duas tribos (10  no grupo especial, sete no grupo A e seis no grupo de acesso), matemática simples 11 vagas foram rifadas por esta política de "qualidade" adotada pelas entidades dirigentes (o atual presidente de uma das entidades se jacta deste fato até hoje e critica a sua não continuidade a pleno vapor). Em 2001 começou a eliminação de escolas.

Eliminadas ou fora dos desfiles por dois anos como preferirem:

* 2001 - Unidos do Capão - Portela de Porto Alegre - Mocidade de Esteio
* 2002 - Salgueiro de Esteio - Estação Primeira da Figueira (pediu licença)
* 2003 - Unidos da Zona Norte  - Integração do Areal da Baronesa - Os Tapuias (último desfile)
* 2004 - Nenhuma escola eliminada.
* 2005 - Mocidade da Lomba do Pinheiro
* 2006 - Os Astros de Alvorada
* 2007 - Unidos do Guajuviras - Mocidade de Esteio - Copacabana (Desclassificada por protesto)
* 2008 - União da Tinga - Real Academia de Samba (pediu licença)
* 2009 - Fidalgos e Aristocratas - Imperatriz Leopoldense
* 2010 - Nenhuma escola eliminada.
* 2011 - Fidalgos e Aristocratas
* 2012 - Nenhuma escola eliminada.
* 2013 - União da Tinga
* 2014 - Os Filhos da Candinha

Se notarem na lista acima perceberam o seguinte, escolas com sede fora de Porto Alegre não são afetadas pela regra, Unidos do Capão foi eliminada, continuou desfilando em seu município e retornou; o mesmo para Unidos do Guajuviras, Imperatriz Leopoldense, para Mocidade e Salgueiro de Esteio e para Os Astros de Alvorada; as últimas que apesar de não terem retornado ao carnaval da capital continuaram suas atividades ou puderam retornar a elas tendo uma perspectiva de desfilar de forma competitiva em suas cidades de origem. E as escolas de Porto Alegre (Portela, Unidos da Zona Norte, Integração do Areal da Baronesa, Mocidade da Lomba do Pinheiro, União da Tinga, Fidalgos e Aristocratas, Os Filhos da Candinha e mesmo as que pediram licença Estação Primeira da Figueira e Real Academia de Samba) para onde retornariam, onde desfilariam de forma competitiva, como manteriam ou manterão suas comunidades sem um objetivo claro para perseguir? Se amanhã alguém resolvesse recomeçar com a Estação Primeira da Figueira por exemplo, onde a escola desfilaria? Como convidada dirão os defensores igual a Mocidade da Lomba do Pinheiro, União da Tinga, Fidalgos e Aristocratas fizeram recentemente e quando esta cumprir a "regra" terá garantido seu retorno ao Grupo de Acesso? Se tiver e as demais? Já que a não ser que algo mude temos apenas uma vaga disponível no último grupo. Nem escrevi sobre a Mancha Verde de Porto Alegre que pleiteia o lugar. Como se nota esta regra pune as escolas de Porto Alegre e quase não tem consequência para as escolas de fora da capital. O "enxugamento" me parece mais um projeto de ganância do que algo em benefício do carnaval de Porto Alegre, afastar as entidades da capital desta forma é algo inexplicável na minha opinião. Lembrando que nesta lista de escolas temos uma campeã do carnaval de Porto Alegre, a Fidalgos e Aristocratas. As escolas de Porto Alegre em especial as que estão fora dos desfiles oficiais deveriam se mobilizar para garantir o sei direito de desfilar em sua cidade e não ficar brigando para ver quantas entidades representativas a mais serão criadas; ou para entregar o poder de decisão a quem compactua com esta regra absurda. Não tenho nada contra escolas de fora da capital, mas o evento se chama carnaval de Porto Alegre; então as escolas sediadas na cidade não podem ser alijadas da festa como estão sendo.

A criação de uma "elite" aos moldes do carnaval carioca não me convence. Lembro que no Rio de Janeiro tinha um grupo especial com 14 escolas, hoje 12 por pressão da emissora que transmite o evento que tem sua programação  (BBB e outras porcarias) como prioridade em detrimento do carnaval, 12 escolas em que apenas 10 tem seu desfile transmitido para todo país, duas delas só no replay ou internet para não atrapalhar o beijo da novela, que a escola que sobe do acesso está fadada ao rebaixamento. Trazer para Porto Alegre este tipo de padrão não me agrada. Querem importar algo do Rio de Janeiro, importem o acabamento das alegorias e fantasias, os quesitos comissão de frente e conjunto, exijam o sambódromo; apresentem um espetáculo que não se limite a três ou quatro escolas em patamar e as demais apenas cumprindo carnê. Ai de pode conversar sobre "grupo especial", antes não. Ninguém é grande por decreto e nem por que alguém diz que é, a avenida é que define quem é o que.

Nenhum comentário: