quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Pobres almas

A crise em que o carnaval de Porto Alegre entrou em 2017 não é exatamente uma surpresa, vem sendo plantada e regada para dar frutos faz muito tempo. Na minha opinião começou em 2003 quando o Partido dos Trabalhadores com amplo apoio dos setores preconceituosos da capital expulsaram o carnaval do centro da cidade o mandando para o "gueto" do Porto Seco. Lembro até hoje das faixas estendidas nas varadas das casas e apartamentos, "Não ao sambódromo", "Não ao barulho", certamente por que faltou coragem para escrever o que realmente pensavam, "Não aos negros e pobres no centro". Afinal o discurso dos pobres  violentos era desmentido todos os anos quando milhares deles se juntavam na avenida Augusto de Carvalho e nada, absolutamente nada de violência ocorria. Com os pobres e negros fora do centro o discurso da violência pôde continuar a ser feito. Porém, este ponto não tira nem de perto a responsabilidade dos dirigentes do carnaval de Porto Alegre que se acostumaram com o dinheiro público para realizar o evento, isto significa que concordo com o atual prefeito e com sua atitude, óbvio que não. Os dirigentes das escolas nunca procuraram um meio de sustentar a festa fora do dinheiro público, bastou entrar no cargo de prefeito alguém que não gosta de carnaval para a capital ser afetada pelo mesmo mal que já vitimou outras tantas cidades pelo Brasil afora. A mesma demagogia barata de sempre, "cortamos as verbas do carnaval para investir em saúde e educação",  outras cidades fizeram o mesmo e se sabe como andam estas áreas; um caos total. A história de buscar recursos na iniciativa privada  para realizar a festa me parece conversa para enganar bobos, se você fosse empresário colocaria dinheiro em um evento que nem transmissão de televisão terá e que por rádio provavelmente não será transmitido  na integra, já que a emissora que transmite tem uma grande programação para colocar no ar as cinco da manhã? Esta última parte é uma ironia. Sei que algumas pessoas podem entender que estou exagerando ao falar sobre preconceito, mas não, por curiosidade no dia do anúncio do corte de verbas fui a rede social  do Nelson Marchezan Júnior para ler os comentários feitos em relação a decisão, até a hora que li uma unanimidade de apoio  ao prefeito. Não que esperasse algo muito diferente, mas algo me chamou bastante atenção, as fotos de todos que se manifestaram até aquele momento eram de pessoas brancas. Para deixar claro, sou branco. Bom o PT entrou para história do carnaval de Porto Alegre por retirar os desfiles do centro, o PSDB não podia ficar atrás, pode ser o partido que impedirá o evento que ocorre desde 1946 de forma ininterrupta deixe de acontecer. Bela forma de marcar uma gestão, mas tem gosto para tudo.  Pobres almas, aquelas que o preconceito cega de tal forma quem nem percebem o quanto são preconceituosos. Pobres almas.

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